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Comissão de Constituição e Justiça
do Senado realizou, na tarde desta terça-feira
(1/4), a primeira das três audiências públicas
para debater a Proposta de Emenda Constitucional (PEC)
31/07, de autoria do senador Fernando Collor(PTB-AL),
que institui o parlamentarismo no Brasil. Os convidados
a debater o assunto foram os cientistas políticos
e professores da Unb, Octaciano Nogueira e Antônio
Otávio Cintra.
Além de defender o sistema parlamentarista, ambos
concordaram que o Brasil necessita urgentemente de uma
reforma política. Como exemplo, o professor Octaciano
lembrou que de 1946 a 1962 existiram 16 partidos políticos
no Brasil. Já de 1982 até 2004, haviam
sido registrados 78 siglas. “Não existe
ideologia para tantos partidos”, comentou.
A próxima audiência pública está
prevista para o dia 13 de maio, às 14h, com as
presenças do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso e do ex-ministro Hélio Jaguaribe. O presidente
da CCJ, Marco Maciel (DEM-PE), defensor do presidencialismo,
deverá indicar nomes de presidencialistas para
debaterem junto à Comissão.
Na palestra apresentada a deputados e senadores, o professor
Octaciano Nogueira disse que não se pode falar
em “parlamentarismo”, mas em “parlamentarismos”,
já que existem vários modelos implantados
no mundo. Ele traçou um paralelo entre os sistemas
Alemão, com maior estabilidade, e o Italiano,
mais instável. “Enquanto na Alemanha, de
1949 até hoje só existiram apenas 8 primeiros-ministros,
na Itália, durante o mesmo período, existiram
62 primeiros-ministros”, apontou.
O professor Antônio Otávio Cintra destacou
que a proposta apresentada pelo senador Fernando Collor
é próxima do sistema adotado na França,
o semi-parlamentarismo, onde o presidente é eleito
pelo voto direto e tem mais poder do que no parlamentarismo
inglês. Ele destacou a existência de mecanismos
que tornam o sistema mais estável, como a moção
de advertência, que não deixa o gabinete
cair facilmente.
Ao fazer a intervenção, o senador Collor
disse que o momento é ideal para se discutir
uma reforma mais profunda, tendo em vista que, embora
existam algumas criticas ao Governo, não existe
uma crise institucional que possa atrapalhar o processo.
Ele destacou que a PEC tem a intenção
de suscitar o debate em torno de uma reforma política
mais ampla que inclua a fidelidade partidária,
a clausula de barreira, o voto em lista, entre outros.
Collor lembrou que o Brasil vive hoje um presidencialismo
de coalizão. “É muito difícil
governar dentro do sistema que temos hoje no Brasil.
Nós vivemos no improviso”, disse o senador,
acompanhado pelo deputado Edinho Bez (PMDB-SC), para
quem as negociações políticas transformaram-se
em “negociatas”.
01/04/2008 - Assessoria de Imprensa
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